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22 de março de 2013

Banco de Praça



Você não sabe, mas eu sofri muito depois que nos separamos. Eu não imaginava que aquele beijo seria o de despedida.
Eu não tinha me programado para sair com você aquela noite, mas acabamos por nos encontrar. Lembro muito bem de te ver rindo com as suas amigas, incluindo aquela que sempre esperou uma chance com você. Nosso romance estava um pouco saturado, mas te ver aliviava qualquer coisa. Te obriguei a falar com minha mãe, como sempre, e ela quase te ignorou. Isso me deixou bem constrangida. Você deixou algum aviso como "vou ali" para suas quatro amigas e me puxou pela mão. Andamos para longe dali e sentamos num banquinho de madeira com os apoios de braço e pés de ferro bem desenhados. A luz amarela dos postes criava um ar bem romântico. Romântico demais para um término de namoro.
Eu ainda era inexperiente nessa coisa de relacionamento, namoro. Não sabia que podia durar tão pouco e sentir tanto. Você foi o primeiro a falar, "tenho que te falar uma coisa séria". Quando essa frase sai da boca de alguém, pode apostar você não vai gostar nada do que vem depois disso. E eu, fiquei lá, te olhando com os olhos arregalados esperando que iniciasse o fuzilamento verbal. Então foi dito. "Acho melhor a gente terminar". No momento, aquilo nem soou como imaginei que fosse. Não foi triste, nem desesperador. Eu apenas balancei a cabeça concordando, afinal, era o melhor que poderíamos fazer por nós dois naquela ocasião.
Nossos amigos em comum apostavam que nós voltaríamos logo. Eu duvidava. E minha mãe nunca acreditou que você gostasse de mim de verdade.
Não parecia que estávamos terminando. Não houve briga, nem choro. Por mais incomum que pareça, nos beijamos - foi como um daqueles beijinhos de tchau que sempre dávamos quando era hora de ir para casa. Muito estranho para o fim de um relacionamento, então penso que foi algum tipo de despedida. Até a ficha realmente cair... Por uma semana senti sua falta imensuravelmente. Não física, mas sentimental. Foi como se você tivesse arrancado toda a sua presença de mim.

Dominique Melo

27 de fevereiro de 2013

Amigos, amor, orgulho e superação.


Eu nunca imaginei a gente sendo outra coisa senão amigos. Já fazia sete anos desde que a gente se conheceu. Eu simplesmente te contava tudo e você sabia tudo sobre a minha vida, me conhecia até do avesso.

Como toda boa e repetida história de romance, velhos amigos sempre acabam se apaixonando. É claro que existem exceções, mas não fomos uma. Eu já te amava há muito tempo e nossas conversas foram tomando um rumo diferente do normal. Você também não escondia seus sentimentos. Eu não acreditava que estava sendo correspondida pelo meu melhor amigo – o amor da minha vida.

Nós nos conhecíamos muito, não tinha nada para dar errado. Todos diziam que nós éramos perfeitos um para o outro. E éramos mesmo. Depois de alguns meses juntos, fomos percebendo alguns detalhes – ou melhor dizendo, defeitos – que como amigos nós não tínhamos notado:  Seu ciúme possessivo. Minha incompreensão. Seu querer de estar sempre perto. Minha mania de liberdade. Sua frieza e timidez. Minha agonia e tagarelice. Nisso a gente não combinava.

Apesar de continuar te amando, as brigas eram companhias muito comuns no nosso relacionamento. Eu sei que não era de propósito, mas não dava mais para carregar toda aquela carga. Não dava mais para assumir a culpa de tudo. Não dava. Mas eu acreditei em você, eu acreditei na gente, pelo nosso amor, pela nossa amizade – que algumas vezes eu imaginava ser até maior que o amor. Não que um sentimento fosse menos importante que outro, pelo contrário, até porque foi através da amizade que nós construímos a sete anos atrás que chegamos até aqui.

Pior do que uma bola de neve, as coisas continuaram a piorar pra gente, ou pra mim. Você não confiava mais em mim – preferia acreditar no que outras pessoas diziam a meu respeito – e isso acabava comigo. Como se você não me conhecesse. Talvez não conhecesse mesmo. A gente tinha conversado e prometemos que iriamos mudar, um pelo outro. Decidimos que eu me comportaria e que tentaria entender seu lado com o ciúme, e que você seria menos ciumento e que não discutiria por causa de pouca coisa. Trato feito. Mas não cumprido.

Ainda tenho todas as suas cartas, todos os seus presentes, tenho tudo que me faz lembrar você. Escondidos na última gaveta do meu armário. Olhar tudo aquilo é me afundar em lágrimas e saudades. Dizem que você ainda sente minha falta, mas nunca assume. Acreditar nisso é masoquista, é como gostar de sentir a dor que a esperança me provoca. Segurei na mão do meu orgulho por muito tempo e quando finalmente consegui me livrar dele, você só me evitava. Tudo o que eu fazia pra tentar juntar os cacos do que restou não passava de humilhação, porque você só sabia demostrar pena de mim.

Lembro-me muito bem de antes, quando tudo ainda não estava definitivamente acabado que você prometera que a nossa amizade permaneceria. E eu quis acreditar nisso. Por que era melhor do que não ter você. Mas preferia não ter acreditado. Teria sofrido menos. Hoje o seu fantasma ainda me persegue. Vez ou outra acabo vendo alguma mensagem no celular, ou fazendo alguma coisa que costumávamos fazer juntos.

Desculpa – mais uma vez – por tudo ou por nada. É que eu ainda não te superei.

15 de fevereiro de 2013

Sobre Dias da Semana


Sabe aquele domingo? Nenhum de nós dava nada por ele, lembra? Era só mais um domingo de jogar conversa fora e rir de bobagens como a gente sempre riu. E como eu amava ficar contigo. Sinto saudades todos os dias do teu abraço apertado. Foi o que eu pensava. Que seria só um domingo contigo, um domingo com meu melhor amigo. Mas de repente houve um silêncio entre nós. E eu não entendi porque, afinal as nossas risadas sempre quebravam aquele maldito silêncio. Eu sempre achei que um beijo seria um fim para qualquer laço de amizade entre menino e menina. E te beijar nunca foi um pensamento constante pra mim, por que o medo de te perder era maior. Sempre dizem que um beijo estraga a amizade. E isso era a última coisa que eu queria pra gente. Mas então estávamos lá, eu e você. Cara a cara. Tão perto um do outro, que pude sentir tua respiração quente soprando meus olhos. E o beijo foi a última coisa que nos aconteceu naquele domingo. Se tornou o nosso segredo - que mais tarde a gente acabou contando pra todo mundo. O domingo que ninguém deu nada se tornou aquele domingo. O domingo que é lembrado com vontade de algum tipo de reprise. O domingo que não acabou com a nossa relação, pelo contrário, firmou. Eu sei disso por que vejo nos seus olhos, na sua boca, nas suas mãos, na sua voz. Eu sei disso por que meus olhos, minha boca, minhas mãos, minha voz dizem o mesmo.

Dominique Melo


30 de maio de 2012

Choque de Realidade


A gente sempre tenta ser legal com todo mundo, mas nem sempre funciona. Não significa que a vida é ruim ou injusta; talvez você esteja nadando contra corrente, investindo em pessoas que não têm a mesma visão de mundo que você, que não acha necessário sempre mostrar o melhor lado, que não acha válido aquela história de que “a primeira impressão é a que fica”

A gente sempre tenta ficar feliz na frente dos outros. Então se for pra ficar triste, fica em casa. Não é isso, mas os outros não entendem seus motivos e nem vão querer saber deles. Pra quê? E mais uma vez vêm aquela historinha de eu já tenho problemas de mais para saber dos de fulano. Sempre assim, egoístas. Primeiro eu, segundo eu e terceiro eu também! Não entendo como agir assim leva alguém pra frente.

Algumas pessoas deveriam dar mais de si, mas acham complicado de mais, difícil de mais, doloroso de mais, muito de mais. Sim, dar de si dói. Manter-se forte frente aquela pessoa acabando com você, simplesmente por você está ajudando-a, dói – infelizmente. Porque ela não conseguiu enxergar que você estava ali por ela. É como uma amiga disse certa vez para mim: “Os verdadeiros amigos, puxam mesmo a orelha. E mais deslumbrante ainda é aquele que sabe reconhecer verdadeiro esforço. Porque não é legal pra ela que escuta, nem pra quem fala. Porque dói falar a verdade pra alguém sabia? Porque você tem medo que aquela verdade machuque, mas tem que ser dita, infelizmente pra uns, e felizmente pra outros. Porque eu não gosto de passar a mão na cabeça de ninguém. A verdade dói, mas tem que ser dita. E independente qualquer coisa.”

Ainda assim, Shakespeare cansou de nos ensinar “E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso”. 
Não é injustiça, é simplesmente a própria vida nos ensinando a viver.

8 de maio de 2012

Carta com alguns quilômetros de distância



Engraçado ela não ter se apaixonado por você. Se apaixonado por esse tipinho que nem o seu: moreno e lindo que faz qualquer uma morrer de amores só por olhar. Mas, ela gosta de você e não nega. Gosta de quando você para e olha para ela, exatamente quando ela para e olha pra você. Gosta quando você fecha os olhos com aquela expressão que só você sabe fazer. E acha tudo muito lindo. Tudo em você é muito lindo, admite, apesar de não ter outra opção. Teu nariz perfeito, tua pele morena e teus cabelos lisos, que até hoje ela não pôde tocar. Não poder tocar.. Não poder te tocar, não é motivo suficiente para fazê-la desistir de te ver e olhar nos teus olhos de perto um dia, de te abraçar e deitar no teu colo. Engraçado como ela pensa em você, como se estivesse apaixonada.

Dominique Melo


24 de fevereiro de 2012

Arriscar?


Eu sei que não é amor. Amor, a gente só tem um na vida. E com uma vida tão nova, não há de ser um amor. Ele não é o tipo de cara por quem eu me interessaria, mas por que agora? Devo ter mudado meus conceitos sem ao menos ter percebido. Queria confessar que sinto borboletas no estômago ultimamente e como se um milhão de faíscas quisessem sair dos meus olhos, eles estão reluzentes. É uma sensação boa. Queria compartilhar com alguém. Queria compartilhar com ele. Na verdade queria gritar. Eu quero gritar e deixar meus olhos faiscarem e as borboletas girarem em meu estômago.  Não. Menti sobre tudo isso. Na verdade, eu quero beijá-lo. Idiotice. É. Tudo idiotice minha. Não sei de onde vem essas ideias, não ia ficar bem uma garota boba, como eu, com um cara sério, como ele. Não seria politicamente correto.  Não iria dar muito certo. Ah! Dane-se, quem liga pro politicamente correto? Quem garante que não é o certo?

Dominique Melo

27 de dezembro de 2011

Caso do acaso


Hoje acho que isso já se deu um fim. Sabe, não tem mais "era uma vez" ou qualquer outro termo que lembre uma boa história - de fato, era uma boa história. Na verdade era apenas mais um causo que se conta por ai de vez em quando, cai no gosto popular e depois se esquece - bom, eu nunca esqueci. Não é o tipo de coisa que se esquece, mas acaba ficando para trás. Você acaba ficando pra trás. Talvez não fosse uma história tão boa assim. Confesso que fiquei esperando algum sinal, qualquer possibilidade de poder relembrar emoções antigas - só esperei e não criei expectativas como os anos passados. E quando tudo estava pra se repetir, quando eu  poderia em fim tapear minha dor de cotovelo... Me vi esquecida e substituída por um outro caso qualquer, talvez um outro melhor que eu - não era melhor, não do meu ponto de vista, mas o que eu poderia fazer a não ser não me importar com um caso como ele? Não teve como não me importar, quis me conter, por que eu realmente queria ler mais uma capítulo, eu queria esse caso de novo depois de tanto tempo. Mas dessa vez deu-se um fim, a realidade finalmente veio à tona de que não valia mais a pena continuar querendo um caso de de vez em nunca, que caiu no gosto popular e que não era mais o meu caso. Só acaso.

Dominique Melo



12 de novembro de 2011

Sentimentos Esquecidos


Eu tinha medo de me precipitar, de agir por impulso. Tinha medo de magoar, de criar expectativas e me decepcionar. Tinha medo de muitas coisas: da indecisão, da dúvida, do meu próprio ciúme. Mas eu não deixaria que medo algum fosse maior que o prazer de estar contigo, de te abraçar e te beijar, te dar a mão e olhar nos teus olhos; nenhum deles era maior do que ficar do teu lado.

O tempo tinha muito o que mostrar pra gente, e ele estava com pressa, querendo mostrar tudo de uma vez. Parecia que estava mais eufórico do que eu. 

Eu deito na minha cama, olho para cima e relembro todas as cenas, palavras, bobagens e o teu sorriso lindo daquele sábado a noite, enquanto eu estava distraída, justamente te procurando. A tentativa de um xote tímido e o pedido de um beijo que foi cedido sem rodeios. Um abraço e um sorriso de quem conquistara o mundo - o meu mundo. O olhar de quem não estava acreditando: “Por favor, me belisquem! Foi real?”

Foi real. Leia: pas-sa-do

Um coração acelerado, fora do ritmo, procurando a frequência certa. Um pedido e um choro - acho que de emoção, ou alegria, ou felicidade.

Acabou.

20 de dezembro de 2010

Ciclo vicioso



Não me lembro bem o dia certo, mas já passava das doze horas, e os alunos estavam saindo do colégio - inclusive eu. A principio foi um dia banal, mas ao olhar aqueles olhos castanhos - que só vim perceber que eram castanhos a pouco tempo - tinha a certeza de que eles seriam meus.
A ansiedade de conhecer aqueles olhos, possuía a minha mente. E em meados de maio, pude sentir pela primeira vez o calor e a pressão dos seus braços me envolvendo. Um dia inesquecível - pelo menos para mim.
As coisas pareciam estar indo melhor do que eu imaginava, até um amigo em comum entre a gente, naquela época, informar que ele iria morar em outra cidade, e que seria em breve.
Não podia ser verdade. Eu tinha que fazer alguma coisa. Mas O QUE? Um ar de impotência me cercava, e eu já estava completamente apaixonada. Conversar com ele - o menor tempo que fosse - era muito bom, porém, nunca o suficiente. Ele iria embora quando... nos vimos outra vez.
Tudo aconteceu muito rápido. Era uma tarde de Junho e muita coisa se passava na minha mente, mas eu só via uma coisa na minha frente - ele - e nada mais importava agora.
Eu não sabia, mas a partir daquele momento, ele se tornou a minha unica excessão. Naquele dia, o relógio parecia estar com pressa, a hora passou que nem se percebeu. E logo tivemos que nos despedir. Eu ainda tinha esperanças de revê-lo antes de sua partida, mas nada disso aconteceu.
Eu não suportei - estava apaixonada - estava com raiva, e chorei, chorei muito. Era noite - cedo, mas o céu estava nublado - e de alguma forma, não sei como, de repente e pela primeira vez, vi uma estrela cadente. Eu não acredito muito nessas coisas, mas fiz um pedido: pedi para que ele ficasse.
Pedido tolo, de nada adiantou - lágrimas e birras - todas em vão. Ele se foi e nada pude fazer para impedir meu amor.
Cheguei a me envolver com outras pessoas, mas ao pensar na possibilidade de vê-lo outra vez...Ah, esquecia do mundo!
Cinco meses se passaram, e aquele - que eu considerava o meu garoto - voltou para comemorar seu aniversário por aqui.  E tinha deixado um recado pedindo para me ver. Não exitei em nenhum momento, era minha única chance de vê-lo e não sabia quando iria acontecer novamente.
Olhar naqueles olhos, sentir seu abraço, ouvir a sua voz tentando me convencer de coisas e poder beijá-lo era tudo o que eu queria. Mais uma vez ao passar por aquele portão, só aquele momento importava, só e nada mais E quando a história se repetia mais uma vez, tivemos de dizer adeus.
Me senti disposta a respeitar o meu amor. Durante dez meses, me assegurei de qualquer relacionamento. Dez meses imaginando vê-lo novamente. Dez meses sonhando como seria se ficássemos juntos. Dez meses me contentando com o pouco contato, que me fazia um bem muito grande.
Um dia me disseram, que é só falar dele que os meus olhos brilham - e eu acredito, porque do jeito que o meu coração descompassa...
Uma vez ele comentou que se da próxima vez não me encontrasse, não saberia o que fazer - como não acreditar numa coisa dessas? E por mais que seja mentira, eu amo a maneira como você mente.
O mais importante, TERIA UMA OUTRA VEZ! - e ele queria me ver. E eu mais que tudo.
Marcamos várias vezes, mas nunca dava certo. Minhas mãos suavam, sentia calafrios pelo meu corpo, meu coração acelerava e perdia o ritmo.
Eu decidi que se eu não fizesse alguma coisa, não poderia vê-lo - o meu amorzinho.
Corri riscos por ele, e o mais rápido possível, cheguei onde ele estava. Aqueles olhos castanhos, o ouro daquele cabelo, o vermelho natural daquela boca - não acreditei que estava ali.
É como um fenômeno na minha vida, que acontece uma vez no ano - que me deixa tão feliz e nostalgiada que parece que nada pode acabar com esse sentimento: nem a distância, nem outra garota.
Mas o meu amor - se é que isso é amor - é tão grande, tão grande, que suporta tudo por ele. Mesmo que só parta de mim, mesmo que só exista em mim. De alguma forma eu estou na vida daquele garoto, e de todas as formas ele está na minha.
O "the end" sempre acontece, mas o "era uma vez" sempre volta.

Dominique Melo

29 de junho de 2010

Um Sonho de Amor


Sozinha em meu quarto, já é tarde da noite.
Fico imaginando nós dois, sentados em um tronco velho e oco, à beira da praia, em volta de uma fogueira. Era noite de Lua cheia - a Lua mais bela que eu já tinha visto.
Na avenida, as luzes vermelhas dos faróis dos carros indicavam que as pessoas voltavam do trabalho.
Mas a hora já não me importava mais.
Você me contava dos seus antigos relacionamentos e eu procurava o horizonte, pensando como seriam nós dois juntos. Depois procurava seus olhos, tão negros quanto a noite que caia sobre nós, e quase tão brilhantes quanto a luz do luar que nos fazia companhia.
E ficávamos ali, parados, sem dizer alguma palavra, olhando um para o outro, até que o silencio nos constrangesse e fossemos obrigados a dizer qualquer besteira. De repente olhava para você de novo e não me contentava em rir das nossas idiotices.
A lenha da fogueira estava por acabar, não ouvíamos mais as buzinas ensurdecedoras dos carros, que foram substituídas pelo som das ondas quebrando na beira da praia.
Estava frio e não havia mais fogo, você me abraçava e eu me sentia protegida como um recém-nascido nos braços de sua mãe.
A essa altura, não tinha mais noção do tempo, mas já era quase madrugada.
Você me pedia um beijo, mas não se importava com a minha reação negativa. Seu abraço estava mais apertado e minha respiração falhava.
Eu bocejava e você perguntava se eu queria ir para casa, mas não ouvia uma resposta e cantava musicas que eu não conhecia, mas eram lindas ao som da sua voz, e eu dormia dentro de seus braços.
Quando dei por mim, já era dia – não havia mais fogueira e o mar molhava os meus pés. Ainda estávamos abraçados, embora você já estivesse acordado. Eu lhe dava um “bom dia” sonolento e você insistia em me levar para casa, dizendo que meus pais deveriam estar preocupados com a minha ausência. Insisti em ser teimosa e respondia que não.
Me levantei rapidamente com os sapatos nas mãos e corri pela areia. Você correria atrás de mim e me alcançava. Me segurava em seus braços, e sairíamos rolando pela areia morna, dando muitas risadas.
Abri meus olhos te procurando, e me encontrei encolhida, sem cobertor em meu quarto cor de rosa. Peguei meu celular para observar as horas e vi uma mensagem sua, dizendo: “Oi, que saudades de você, vamos sair pela manha? Passo em sua casa às nove. Beijos”.
Então ouvi um buzina familiar – meu Deus! Já eram nove da manhã! – Abri a porta e lhe vi tão lindo quanto em meus sonhos. Pedi um minuto, coloquei um vestido listrado, e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo apressado.
Entrei no seu carro, e você me recebeu com um beijo doce. Fiquei corada e um pouco sem graça. Era como se você soubesse do que houve em meus sonhos e realizasse o meu desejo.
Seguimos para a praia e você disse que eu estava linda, embora eu não concordasse tanto assim.
Tocava uma música, e eu tive a sensação de que a conhecia de algum lugar – sim, era a musica que você cantava para mim no sonho. A nossa música.
Nos beijamos mais uma vez – agora sem receio. O clima ficou tenso, e você me pediu em namoro. Fiquei surpresa, não esperava tanto – as palavras falhavam e desapareciam – e não consegui responder. Minha vontade foi de sair correndo. Mas ficar com você era o que eu mais queria. Senti o desapontamento em sua face ao não ouvir uma resposta – eu sempre esperei por um amor.
Continuamos juntos – nossa vontade de estar perto um do outro era maior. Fomos ao parque e tiramos fotos, foi um dia sem duvida, divertido.
O tempo passou muito rápido – é sempre assim quando fico do seu lado. O Sol já estava se pondo. Sentamos num banquinho, no calçadão, onde só havia casais. Poderia ser só mais um simples pôr do Sol, mas você estava comigo, e fez toda a diferença.
O céu estava em um tom alaranjado, que nos deixava num filme de romance. Você me convidou para dançar – achei irônico, pois não havia musica. Fechei os olhos e me deixei conduzir por seus passos.
Escureceu, e os casais estavam indo embora, de mãos dadas e abraçados
Eu fui a primeira a falar, respondendo que sim, ao seu pedido no inicio da tarde. Você deu um sorriso – o mais lindo. Enfim nos beijamos, e durante a noite conversamos sobre o nosso sentimento. Debaixo de uma arvorezinha, os grilos faziam uma serenata de amor para nós.